A alimentação e as emoções

A alimentação tem uma relação íntima com as emoções. Do mesmo modo, a maneira como comemos também está intrinsecamente ligada à forma como vemos o ambiente que nos rodeia.

26 OUT 2018 · Leitura: min.

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A alimentação e as emoções

Por motivos religiosos, em muitas sociedades as pessoas abençoam a comida e agradecem aquela refeição antes de a iniciar. E devemos agradecer os alimentos que vamos ingerir antes de comê-los? Mais além das crenças, este é um ato, antes de tudo, no qual agradecemos e respeitamos a oportunidade de termos sustento.

Refletimos por um momento no trabalho que alguém teve em fazer crescer os vegetais, cuidar dos animais ou preparar as redes para pescar e apreciamos o facto de podermos desfrutar do trabalho e dedicação de alguém para termos uma refeição na nossa mesa. Inclusivamente o facto de animais e plantas necessitarem de luz para crescer é também outra forma de reconhecer o valor nutritivo que a natureza colocou à nossa disposição.

Como escolhemos os alimentos

Quando vamos às compras, escolhendo o mercado municipal ou lojas mais pequenas, é normalmente possível comprar a granel e encontrar mais facilmente produtos provenientes de agricultura orgânica, utilizando um sistema mais respeitoso com os agricultores e com a terra e que, por conseguinte, também se reflete na nossa saúde. O bom sabor, as cores vivas dos alimentos e a satisfação que nos proporciona sabermos que provêm de um sistema justo e orgânico, fluem no nosso pensamento com prazer, criando na nossa mente um prato já pronto e delicioso. Quando na realidade o cozinhamos, estamos a recrear as expectativas que colocámos na hora de escolher cada um dos produtos para concretizar aquela receita.

Por outro lado, quem não recorda com um sorriso especial aquelas comidas na infância confeccionadas com extremo carinho e paciência pelas avós? Ou aquele momento intenso duma reunião de amigos à volta de uma mesa para "meter a conversa em dia"? Nestas situações há sempre uma forte energia que nos rodeia e intensas emoções que acompanham aquele momento e que nos remete a fortes sensações.

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Será que a comida só alimenta o corpo?

Desta mesma forma usamos muitas vezes a comida para encher espaços vazios e colmatar carências, esperando que encher o estômago também nos "recarregue" a auto-estima.

Uma das relações alimento-mente mais estudadas é a ansiedade e por isso já se reconheceu como se associam as boa sensações com cheiros e sabores, com momentos prazenteiros, que o nosso cérebro grava e arquiva para mais tarde recordar.

Estudando a motivação, a atenção dos investigadores foi atraída para o facto de alguns indivíduos comerem não para a saborearem, mas para proativamente evitarem sentir fome mesmo antes dela chegar. Tal como nos sentimos mais ativos depois de um café ou cheios de energia depois de fazer uma atividade desportiva radical que nos enche de adrenalina, assim engendramos um "circuito de recompensa" que se retroalimenta cada vez que levamos à boca uma comida reconfortante. Esta dependência não é diferente de muitas outras, como as drogas legais e ilegais até outras à primeira vista inocentes como o açúcar dos doces.

Qual a conclusão a retirar?

Devemos agradecer os alimentos que nos nutrem e cuidam do nosso corpo e evitar que sejam uma recompensa para estados de espírito depauperados. É urgente comer de forma responsável, conscientes do impacto que os alimentos têm tanto no nosso corpo e mente como no ecossistema.

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MundoPsicologos.pt

Bibliografia

Sousa, E; Albuquerque, T.G; Costa, HS: Comfort Food: O Significado Social e Emocional dos Alimentos: http://repositorio.insa.pt/handle/10400.18/5725

Lourenço Ana, Ingestão de Alimentos Como Mecanismo de Regulação da Ansiedade: https://recil.grupolusofona.pt/jspui/bitstream/10437/7230/1/TESE%20Ana%20Louren%c3%a7o.pdf

Menédez Isabel, Alimentação Emocional: A Relação das Emoções e os Distúrbios Alimentares: http://www.isabelmenendez.es/libros/ALIMENTACION%20EMOCIONAL%20-%20Isabel%20Menendez.pdf

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