Perturbações associadas ao desemprego
Artigo verificado por Comité de MundoPsicologos
O trabalho ocupa grande parte do tempo de uma pessoa e a sua perda pode trazer sentimentos de ansiedade, preocupação, culpa e angústia.
A identidade pessoal está intimamente relacionada com a identidade laboral para uma grande parte das pessoas. Assim, a sua perda pode resultar em diminuição da autoestima, sensação de perda de valor ou até de inutilidade na sociedade.
Além disso, existem perdas significativas ao nível da vida social, pois os colegas de trabalho deixam de existir, as pessoas conhecidas podem ter, na sua maioria, horários incompatíveis e até os assuntos das conversas deixarão de passar pelo tema trabalho. Da mesma forma, é quase inevitável um certo isolamento social, o que é ainda reforçado por uma perda de poder económico. Esta perda pode acarretar repercussões graves tais como sentimentos de impotência e culpa.
Dependentemente da situação, do grau de especialização ou capacidades laborais da pessoa e do seu entorno familiar e social, podem desenvolver-se diferentes reações a esta situação, quer a nível comportamental, quer a nível cognitivo e emocional. Não obstante, o prolongamento de uma situação de desemprego leva normalmente a um estado de desesperança e apatia, perda de vontade de enfrentar desafios e a uma atitude passiva face a esta situação. Podem então desenvolver-se quadros depressivos e de ansiedade que, paralelamente, têm implicações na vida familiar e social.
Quais são as perturbações associadas ao desemprego?
Existem muitos sintomas, especialmente dentro de um quadro depressivo, que podem ser associados a situações de desemprego, sendo que estes tendem a agravar com o prolongamento desta circunstância. Podemos, entre outros, encontrar:
· Perturbações de sono, nomeadamente insónias;
· Perturbações ao nível do apetite;
· Depressão e perda de autoestima;
· Agressividade;
· Deterioração das relações familiares e sociais;
· Isolamento social;
· Sentimento de desesperança;
· Desorganização temporal, falta de ritmo no dia-a-dia;
· Perda de objetivos ou metas a alcançar;
· Disfuncionalidade a nível da organização familiar, inversão dos papéis pais-filhos.

O que fazer?
Para enfrentar estas situações é fundamental fazer o máximo uso da capacidade de resiliência da pessoa, ou seja, a capacidade de se reinventar após uma situação adversa ou de crise.
Fazer um plano concreto dos objetivos a alcançar e meios de que se dispõe para tal pode ser o ponto de partida para enfrentar esta situação. Por isso, é imprescindível estar ciente da própria situação, das próprias capacidades, e do esforço que será necessário fazer.
Tentar falar sobre o assunto, verbalizar emoções, sentimentos e reflexões é igualmente importante para organizar o pensamento e delinear uma estratégia.
Consultar um profissional (psicólogo ou coach laboral) pode ser uma excelente forma de encontrar ajuda nesta complicada fase da vida.
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